segunda-feira, 1 de julho de 2013

Bandex no jornal i

Texto de Carla Hilário Quevedo sobre Bandex (29 Jun 2013):

Os Bandex são uma família com talento e ideias, que, se o perfil da conta no Facebook não me engana, começou a sua actividade em Março de 2011
Há uns oito anos, num almoço de quatro pessoas, um dos nossos amigos começou a falar como se estivesse a cantar. As frases que cantava eram prosaicas, mas apareciam inesperadamente num tom ritmado. Acompanhámo-lo de imediato num samba da frase "Me dá um café aí", que até hoje faz parte da nossa longa história feliz de amizade. Houve outras tentativas de falar normalmente, mas a cantar. Nenhuma ficou para a história como a primeira.

Há dois dias, o Carlos mostrou-me um vídeo que tinham acabado de lhe mostrar dos Bandex, que me lembrou o episódio que acabo de contar. O vídeo, com o título "Um futuro pior", mostrava uma intervenção "songificada" de Ana Drago no parlamento. As frases "Não pensem em ter futuro. Não pensem em estudar, não estudem" são ritmadas numa montagem em que a resposta é de Pedro Passos Coelho a repetir o já clássico "piegas". O resultado é excelente. O lado bizarro disto é, ainda assim, a pouca repercussão que teve. A versão com Ana Drago data de Fevereiro de 2012. Em Março, há uma notícia no ionline em que ficamos a saber que além de Nuno Gelpi, fazem parte do grupo o irmão, Miguel Gelpi, no violoncelo, e por vezes o pai, no violino. Surge também uma notícia sobre o grupo no P3 do "Público".

Os Bandex são uma família com talento e ideias, que, se o perfil da conta no Facebook não me engana, começou a sua actividade em Março de 2011. Demorei dois anos e meio a conhecer o trabalho dos talentosos Gelpi. Mesmo não circulando em meios online com mais "sensibilidade de esquerda", indignados, contra a troika, etc., passo algum tempo da minha vida no YouTube, o meio de eleição do grupo. Chego tarde, mas chego a tempo.

Numa tentativa de recuperar estes dois anos e meio de ignorância involuntária, ouvi quase todas as "songificações" que fizeram, com as respectivas montagens de imagens. O neologismo "songify" foi criado pelos Gregory Brothers, uma banda também constituída por irmãos e pela mulher de um deles, que começou a criar vídeos virais em 2009. Dois anos depois criavam a App Songify, que transformava a simples fala em canções. No site www.songifythis.com, encontramos toda a obra realizada até agora. O vídeo mais recente "songifica" o testemunho de Charles Ramsey, que salvou Amanda Berry, sequestrada há dez anos em Cleveland. É puro génio. O vídeo mostra uma diferença e uma semelhança entre a música e a escrita. Ter um ouvido musical perfeito, para, no caso da "songificação", descobrir a sonoridade em frases insuspeitas, não se aprende. Há, claro, uma técnica, mas que está sobretudo relacionada com a aprendizagem dos instrumentos, computadores, etc. Já um escritor aprende a escrever. No entanto, como defendia James Joyce, entre outros, talvez os que consideramos mais talentosos tenham o mesmo excelente ouvido musical.

Voltando aos nossos Bandex, recomendo a balada de José Sócrates, "Mentiras", e a canção pimba "Vantagem financeira", com Fernando Nobre, que ando a trautear. Mas o meu vídeo preferido de todos os que vi é o de Vítor Gaspar a repetir: "Tenho vivido difíceis semanas como adepto do Benfica." Conta com a participação dos membros do grupo, que saúdo com uma salva de palmas.